“Os políticos não são todos iguais…” Quem o disse foi Passos Coelho, tentando marcar a diferença entre ele e o José Sócrates! Ora, apesar de ter razão no que diz, o nosso primeiro não é, como parece claro para toda a gente excepto para o presidente cavaco, um exemplo de político sério. É um “distraído” quanto às suas obrigações fiscais, é um mentiroso convicto, é forte e assertivo com os fracos e é um merdas quando enfrenta os mais fortes.
Ontem, li uma entrevista no Expresso a um político exemplar, esse sim, sério, a léguas de distância da indigência moral onde chafurdam estes poli
tiqueiros nacionais. Refiro-me a José Mugica, ex-presidente do Uruguai.
O Presidente Mugica mostrou ao longo do seu mandato, qualidades humanas e politicas na condução do seu país que fizeram dele um exemplo do que deve ser um servidor público no sentido idealista e genuíno do termo. Em vez de as usar, prescindiu das mordomias do Estado, viveu na mesma e modesta casa onde antes vivia, doou 87% do seu salário de 12.000 dólares para a construção de casas para os mais desfavorecidos e, também por isso, é conhecido como o “Presidente mais honesto do mundo”.
Em Portugal acontece o mesmo, mas ao contrário! Circula aí na net uma lista de figurões da política que usaram a sua passagem pelo governo e adjacências para enriquecerem. A lista inclui as declarações de património e rendimentos apresentadas por esses artistas ao Tribunal Constitucional, desde 1995, ano em que a informação passou a estar disponível, e reconstitui o percurso do desmesurado crescimento dos seus rendimentos.
segunda-feira, 9 de março de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
HIPÓCRITAS
Raif Badawi, o
liberal árabe-saudita que foi condenado a uma sentença de 1000 chicotadas e 10
anos de prisão na sequência da criação de um blog onde teve a ousadia de abrir
um debate de carácter político e social sobre o seu país, é a última prova da
hipocrisia vigente entre os políticos mundiais deste lado do mundo. A Arábia Saudita, país que condenou publica e presencialmente os actos contra a
liberdade de expressão no estrangeiro, no seu país aplica esta medida
repressiva e assassina de qualquer arremedo de liberdade.
Os EUA, Grã-
Bretanha e outros países ocidentais amigos e aliados do regime saudita, que com
eles desfilaram na primeira fila da manifestação de Paris de repúdio aos ataques
terroristas ao Charlie Hebdo, até à data não despoletaram protesto que se visse
ou acção diplomática contra estes escroques. O termo é esse. Não há relativismo
cultural que justifique outra abordagem desta questão.
O António e o
Brito, cartoonistas com quem mantenho relações de amizade diferentes, em
proximidade e antiguidade, num programa de TV desta semana referiram-se a essa
linha da frente diplomática como um mostruário de hipocrisia e oportunismo
político. António citou Willen, um cartoonista de 73 anos, do Charlie Hebdo que provavelmente está vivo porque gosta de reuniões e por isso faltou àquela reunião onde os seus amigos foram assassinados, dizendo,"vomitamos
sobre as pessoas que, de repente, garantem ser nossos amigos". O Brito em
directo e em nome pessoal disse que cuspia naquela gente. Não querendo chegar a
níveis tão escatológicos limito-me a manifestar o meu desprezo por tal gente
que dirige o mundo com esta diplomacia a cheirar a merda.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
O WRESTLING E O FUTEBOL
O wrestling é uma modalidade desportiva onde os resultados dos
encontros/combates são decididos previamente conforme os interesses dos
promotores do espectáculo que controlam os atletas. O espectáculo é bem
encenado e de tal forma que na assistência, em directo ou via TV, ainda há gente
que toma partido e apesar das peripécias grotescas que o caracterizam, acredita
que aquilo é mesmo a sério. No futebol, por vezes, acontece a mesma coisa. As
cenas não são risíveis como no wrestling mas a verdade desportiva é uma
quimera.
Vem isto a propósito do jogo Benfica-Belenenses onde os dois
melhores jogadores azuis Miguel Rosa e Deyverson não jogaram, estando aptos
para o fazer. A nebulosa obscura e gaga onde dirigentes e treinador do
Belenense inscreveram as putativas explicações são do mesmo calibre ético que a
manipulação dos resultados no wrestling. A diferença está em que estes “combates”
são performances artísticas onde a maioria dos espectadores/adeptos sabem ao
que vão. No futebol, não. Os adeptos acreditam que o futebol, ainda que seja um
negócio, é coisa séria. Não é. Está controlado por gente mafiosa que influencia
e manipula resultados. Interessa é ganhar, a todo o custo, recorrendo a
ingredientes como a fruta, o café com leite, os acordos verbais entre cavalheiros…
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
O DERBY
Ontem houve derby ribatejano
na minha terra: União Vila Franquense contra o Alverca. Fui ver. Um derby é um
derby! Quando eu jogava, já lá vão uns anos… os jogos com o Alverca eram bons
de jogar, geravam adrenalina e tiravam o sono. Como não havia Facebook, as
discussões antecipando o encontro eram feitas cara-a-cara, principalmente nas
O.G.M.A. (Oficinas Gerais de Material Aeronáutico), em Alverca, onde
trabalhavam alguns jogadores e muitos adeptos de ambos os clubes.
O jogo era sempre muito disputado, dentro do campo e fora
dele e, qualquer que fosse o resultado, tinha prolongamento durante a semana,
com a discussão das jogadas e dos casos esmiuçados conforme o grau tendencioso e
o arreganho dos oponentes. No jogo de ontem as bancadas estavam cheias como
antigamente, o jogo foi rasgadinho como de costume e, tal como outrora, foi
antecipado e também vai ter prolongamento, agora, nas redes sociais, com mais
acinte mas sem a graça da discussão olhos nos olhos .
O que não havia no meu tempo eram as claques! A do União
chama-se “Piranhas do Tejo”. Nome extraordinário. Os “Piranhas ocupam na
bancada o lugar mais próximo do bar. O
apoio à equipa segue o padrão das congéneres, isto é, cânticos de incentivo aos
nossos e provocações aos adversários. Lembro-me de uma delas, “Ninguém nasce em
Alverca, ninguém nasce em Alverca, ninguém nasce em Alverca, olé ó”. Esta
claque tem a particularidade de ser acompanhada por uma banda de músicos que
tocam bem, afinados e com repertório adequado a cada situação. O ar é de festa!
O meu clube ganhou 2-0 e comanda o campeonato.
P.S. O meu outro clube, o Belenenses, também ganhou o derby “da linha”, com o Estoril, por 2 a
1. Foi um Domingo glorioso.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
A FEIRA
A Feira anual que se realiza em Vila Franca, minha terra, é sempre
uma ocasião para reencontrar amigos e conterrâneos que dela saíram, levados
pelas andanças da vida. Não precisamos marcar encontro. O sítio do costume é a
rua, ou as ruas, onde acontecem as “Esperas de Touros”.
Ontem, assim foi. Na rua onde nasci, a 1º de Dezembro, lá foram
aparecendo. Primeiro o Vítor, depois o João e o Leo, e pouco depois o Alfredo e
o Cabral. Marcámos uma almoçarada para 5ª feira, onde vamos dar cabo da
conversa e das saudades.
Mas este ano, o cenário onde decorre esta celebração da
festa dos touros estava mais bonito: a tertúlia “de rua” do Pineta, frente à
nova Biblioteca, ostentava altaneiramente a bandeira do Belenenses. Bem sei que
em Vila Franca o Águia, um dos clubes que deu origem ao actual União, era
filial do Belenenses e daí a existência de muitos adeptos azuis. Mas que foi
uma satisfação enorme tirar esta fotografia, lá isso foi.
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
POR ARRASTO VAMOS...
Os meios de comunicação publicam,
sobretudo, más notícias. Os crimes, as desgraças, os desvios comportamentais
dos outros alimentam o medo gerado pela percepção sentida de que a ordem
pública está degradada e é perigoso sair à rua.
Os “meet” de agora são reedições
dos “arrastões” de outrora. O alarme gerado por notícias que constroem factos sociais
mentirosos, provocam constrangimentos no modo como olhamos aqueles que são fenotípica
e culturalmente diferentes de nós.
O que aconteceu ontem à noite em
Cascais, foi apenas mais um episódio dessa forma paranóica de lidar com uma
realidade que nos escapa. No meio de 100.000 pessoas aglomeradas num espaço sem
condições, dois ou três miúdos envolveram-se numa briga. O estado de alerta
latente devido aos anunciados “meet” de jovens da periferia começou por
incomodar o cantor Anselmo Ralph que interrompendo o concerto e chamando a
polícia gerou o pânico e isso sim, causou a confusão. Tal e qual como no “arrastão
de Carcavelos” em 2005, quando o proprietário de um bar de praia chamou a
polícia porque “…viu uns pretos a correr”.
Se em Carcavelos o “perigo” era
personificado numa vaga ululante de jovens negros que corriam pela praia a
agredir e roubar os veraneantes, brancos, claro, agora o “diabo” vestia a mesma
pele e pretendia quebrar a paz e a harmonia social cascalense. Afinal, segundo
o Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Lisboa, que recolheu
informação junto do posto em Cascais, "não há registo de agressões" e
"não houve qualquer esfaqueamento", ao contrário do veiculado por
alguns órgãos de comunicação social. O que houve, referiu a fonte, foram
"várias ocorrências de doença súbita, uma situação de queda e uma pessoa
que, empurrada contra uma grade, teve um princípio de esmagamento, na sequência
da confusão gerada no local".
Na altura, em Carcavelos, os
desmentidos da polícia e de um ou dois jornais pedindo desculpa por terem sido
enganados ao darem conta da ocorrência, e confirmando que não houve assaltos
nem agressões mas apenas a confusão gerada pela chegada em carga da polícia de
intervenção, tiveram a divulgação obrigatória e envergonhada e, por isso, insuficiente
para retirar o anátema de cima dos “diabos” de pele negra que, apesar de serem
tão portugueses como nós, continuaram e continuam a ser vistos como estranhos e
estigmatizados em conformidade.
Sabe-se que os estereótipos morais
são manipulados pelos media ao serviço das classes e dos interesses dominantes,
criando segregação, barreiras e mitos que têm por fim salvaguardar-nos da
mistura com os outros. Felizmente, estamos condenados a viver juntos,
misturados, para o bem e para o mal. Ainda bem.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Os algarves
Poder estar com quem gostamos é uma bênção da vida que, certamente, fizemos por merecer. Ainda assim, os dias bem passados são sempre curtos e sabem a pouco.
Ontem regressei de uns dias de férias no Algarve com a filha Joana, o genro Nuno e os netos Diogo e o Francisco.
Este ano a água está mais fria que na Nazaré. Consta! E depois? Jogamos uma futebolada ou fazemos uma caminhada pela praia e a água fica apetecível. Ou então alugamos aquela coisa, “tipo moto4 mas em gaivota, com um escorrega…”, no dizer do Francisco e, durante 1 hora o mar é nosso e até parece quentinho. Nossos são também a piscina e os relvados adjacentes. Mais os amigos e família que nos visitam, ou visitamos noutros algarves.
É tudo nosso quando fazemos por ser.
Ontem regressei de uns dias de férias no Algarve com a filha Joana, o genro Nuno e os netos Diogo e o Francisco.
Este ano a água está mais fria que na Nazaré. Consta! E depois? Jogamos uma futebolada ou fazemos uma caminhada pela praia e a água fica apetecível. Ou então alugamos aquela coisa, “tipo moto4 mas em gaivota, com um escorrega…”, no dizer do Francisco e, durante 1 hora o mar é nosso e até parece quentinho. Nossos são também a piscina e os relvados adjacentes. Mais os amigos e família que nos visitam, ou visitamos noutros algarves.
É tudo nosso quando fazemos por ser.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
O CASAMENTO
A vida tem-me levado a viajar por situações e cenários que
guardo na memória como coisas boas. Que preservo no coração. Porque gosto de
escrever, de vez em quando tento partilhá-las com os outros. É o caso.
No Sábado fui ao casamento da Liliana, prima da Sandra. Muitos
convidados (255), muita família, gente simpática e rica na sua diversidade. A
maioria emigrada em França mas também na Suíça, nos EUA e no Canadá, narrando as
histórias de sucesso em discurso empolgado num linguajar português temperado a
vernáculo e aqui e ali palavras cantadas desses países. Das agruras e dramas agarrados
à condição de emigrante, apenas sussurros.
A
pós a celebração religiosa na Sé de Leiria, porque o padre
é amigo dos noivos, seguiram-se as festividades à volta da comida, bebida,
música, barulho, animação, apostas, palitos, histórias, burro, promessas,
tunas, rituais, muita cerveja, encontros, fogo-de-artifício, desencontros,
baile, copo-de-água, leitão assado e mais festa pela noite dentro.
No Domingo, almoço em casa do tio Rui e da tia Lolita.
Celebravam-se três aniversários, numa família cada vez mais rica. Pela mistura:
o primo Hugo casou com a peruana Betty, o primo David casou com a chinesa Yummy
e daí nasceram o Dário e a Yris, os novos ídolos, adorados pelo simples facto
de serem os mais recentes membros da família.
Dito isto, sinto que as palavras são curtas para descrever
estes dias. Vivê-los foi bem melhor.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Colômbia e Guiné-Bissau
A Colômbia
era, até há poucos anos, um local a evitar. A maioria da população vivia refém da
instabilidade e da guerra entre os para-militares e a guerrilha das FARC, no
cenário de um narco-estado mergulhado até ao pescoço no tráfico de cocaína e na
corrupção. A taxa diária elevadíssima de homicídios tornava o acto de andar na
rua uma coisa para aventureiros. A partir de 2006 a situação começou a mudar.
Constava que o controlo do Estado tinha sido assumido pelo governo eleito, que
as instituições funcionavam e que o desenvolvimento económico ia com a passada
certa. De tal modo que a TAP até abriu uma ligação para a sua capital, Bogotá.
Aproveitando
uma boleia, fui ver.
Bogotá tem 12
milhões de habitantes. Mas não se dá por eles. Isto é, anda-se à vontade! De
dia ou de noite andei de táxi e no metro de superfície “Transmilenium” e nem
por um instante senti aquela sensação de insegurança que conheço bem de outros
lugares. Dos lugares, interessam-me sobretudo as pessoas. Claro que gosto de
conhecer as marcas históricas e culturais identitárias de cada povo. Claro que
apreciei e aprendi muito na visita ao Museu do Ouro. E que foi um prazer enorme
ir ao Museu Botero. Tal como foi bom visitar o Centro Cultural GABO, e beber um
excelente Mojito na sua esplanada. Mas
a imagem que mais retenho de Bogotá é a das ruas cheias de gente, alegre,
descontraída, liberta, pareceu-me. Não sei. Sei que os colombianos com quem me
cruzei foram (todos…) muito simpáticos e disponíveis. Um exemplo: na 2ª noite,
fomos jantar a um restaurante que uma amiga nos tinha recomendado; demos a
morada ao taxista que nos levou até próximo do local, indicando-nos o caminho
que deveríamos seguir a pé. Não o encontrámos! Andámos às voltas até que
decidimos perguntar a um passante. Era simpático… mas não sabia. Perguntámos a
outro. Também não sabia mas indicou-nos um vendedor ambulante ali perto: “Esse
deve saber…” E sabia. Sabia e fez questão de abandonar as suas coisas e
acompanhar-nos até ter a certeza que íamos dar com o restaurante. Gente boa!
Foi isso que senti. Tal como na Guiné…
Cheguei ontem.
Falando com a Marta acerca das pessoas, ela perguntou se os colombianos são
assim como os guineenses. Acho que sim, respondi. Depois de falar com ela, alarguei
o pensamento e imaginei a Guiné- Bissau a seguir um caminho semelhante ao da
Colômbia. Ou seja, deixar de ser um narco-estado e passar a ser um Estado
controlado pelos governantes eleitos, com as instituições a funcionar ao
serviço dos cidadãos, com os militares cumprindo as ordens e
manadas do poder civil, com as pessoas vivendo as suas vidas, em casas com água e luz, com um serviço de saúde minimamente digno, com segurança, sem medo de andar nas ruas. Tal como os colombianos. Já não falta muito, desejo. E confio no Primeiro-Ministro, Domingos Simões Pereira.
O facto de a
TAP retomar os voos para Bissau a partir de 26 de Outubro, é um bom indício.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
PALESTINIANOS E ISRAELITAS
A situação actual na Palestina é mais um episódio da já
longa guerra originada pela reivindicação da mesma terra por dois povos e
forças que os representam. À iniquidade da ocupação israelita dos territórios
onde viviam os palestinianos, desde então sujeitos a humilhações, indignidades,
colonatos, muros, checkpoints, etc., contrapõe os israelitas a necessidade
imperativa de assegurar a sustentabilidade da sua identidade nacional.
Seria irrealista voltar ao princípio e querer que as coisas tivessem
acontecido de outra maneira. As pessoas vivem as suas vidas, têm familiares
mortos, dos dois lados (bastante mais palestinianos) e defendem posições diversas
nas questões políticas concretas: o lado israelita vai desde os radicais
sionistas até aos judeus anti- sionistas e no lado palestiniano basta medir a
distância ideológica entre o Hamas de Gaza e a Autoridade Palestiniana em
Ramallah.
É claro que ambos os discursos principais estão carregados
de emocionada retórica nacionalista, embora sejam evidentes as diferenças entre
o nacionalismo fascista e o que subjaz ao nacionalismo dos movimentos de libertação.
Mas outros valores se sobrepõem aos discursos. Há uns meses, ouvi um
palestiniano exilado em Portugal dizer que o conflito não tem resolução
enquanto os senhores da guerra, os que vendem e os que compram armas, tiverem o
poder e contarem com a conivência dos Estados “amigos”(as aspas são dele).
As lentes ideológicas e os afectos criados com o tempo, levam-nos
a fazer analogias com apartheids ou colonialismos ou a ver a situação com fundo
anti-semita ou islamofóbico. Por mais partido que tomemos, petição ou vigília
que façamos, nunca vamos perceber a carga emocional e o significado de perder
um ente querido, inocente, nesta guerra, a que assistimos de longe.
É também por isso que estou longe de compreender o conflito
e de saber como tudo vai acabar.sexta-feira, 11 de julho de 2014
Scolari, o mau
Aprecio a capacidade inventiva das pessoas dotadas de percepção extraordinária, o que lhes permite a descoberta ovocolumbano das coisas. Há quem diga, pejorativamente, que é gente desocupada. Não sei mas seguramente, é gente com muito sentido de humor. quarta-feira, 2 de julho de 2014
Um certo modo de ser português
Ontem fui ao Planetário Calouste Gulbenkian, em Belém. Éramos
oito: eu, a Sandra e a Susana, os netos Diogo e Francisco, a enteada Clarinha, mais
o Alexandre e a Catarina, netos do Carlos e da Susana.
A sala estava quase cheia de crianças de escolas em visita
de estudo e outras acompanhadas pelos pais ou avós. A sessão infantil começava
às 14,30. Mas não começou. Durante mais quinze minutos foram entrando e
entrando até que, finalmente, as portas fecharam-se. Um rapaz, de pé, na cabine
de controlo, explicava em linguagem simples e apropriada o que iríamos ver nos
próximos cinquenta minutos. Foi também repetindo avisos ou pedindo à infantil
audiência para não conversarem enquanto decorria e exibição. Em vão. A cada imagem
que aparecia no céu estrelado do Planetário seguiam-se os comentários das
crianças e a reprimenda meio paternalista, meio portuguesa do rapaz do
microfone, “pronto, vá lá… não conversem, não façam barulho…”
Mas o mais português acontecimento surgiu quando, passados pouco
mais de dez minutos do início, o locutor interrompeu a narrativa de viagem dos
astros e informou a audiência, “temos que interromper a sessão porque vamos
deixar entrar uns meninos que se atrasaram…”
Acenderam-se as luzes, abriram-se as portas e lá entraram os
meninos e mais os pais ou avós deles para ocupar os lugares vagos. Extraordinário
foi o facto de não haver lugar para todos. Não há problema. Foram-se buscar
cadeiras ao armazém, colocaram-se nas coxias e, “vamos recomeçar …” Houve mais alguns
momentos de bulício entre a assistência seguidos pela voz cordata do rapaz, “pronto,
vá lá…não conversem…pronto, vá lá…”
Bom, o importante é que as crianças gostaram e só nós,
adultos e viajados, por nunca termos assistido a nada semelhante em situações
similares, algures, notámos e comentámos esta faceta do modo de ser e estar dos
lusos. Somos assim, complacentes, paternalistas, pouco rigorosos nos horários, facilitadores,
desenrascados e possuidores demais características que nos marcam, para o bem e
para o mal no relacionamento com os outros.
Pessoalmente, não renego nem me distancio desta atitude. A
frieza do rigor em demasia é chata e desconfortável. A rigidez das normas e a
inflexibilidade na sua aplicação pode ser o caminho mais correto no universo
dos burocratas mas não contribui para a felicidade de ninguém. Somos um povo
cheio de defeitos mas eu não gostaria de pertencer a outro.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
"Jovem empresário"
Bernardo Loubet da Nóbrega é o diretor executivo da empresa “Jovem Empresário”, diz-se Liberal de direita e… do Belenenses (a filiação clubística é um dos mistérios da irracionalidade, digo eu); é um idiota chapado e fã do Camilo Lourenço (idiota encartado) e será dirigente deste pobre país, um dia. Conheci-o através dum post no FB, do Manuel Campos Pinto, a quem agradeço porque é sempre bom conhecer as linhas com que se coze o inimigo.
Correndo o risco de ser redutor afirmo que este rapaz é a face mais descarada da política deste governo. Para eles, tudo o que perturba a lógica do capitalismo selvagem deve acabar!
Escreve o gajo, "o país tem que acabar com as bolsas para áreas improdutivas como as humanidades, artes e outras pseudo-ciências que acrescentam zero á nossa sociedade. As faculdades de letras, desporto, psicologia e humanidades, pela sua inutilidade, devem ser encerradas na sua grande maioria e as que fiquem devem ver a sua atividade reduzida ao mínimo, com despedimento da maioria do pessoal. O país não pode formar parasitas improdutivos". Um empresário como este, se puder, extermina os velhos, os doentes e os pobres.
Se quiserem conhecer melhor o bicho, vão à sua página no FB e enojem-se!
Correndo o risco de ser redutor afirmo que este rapaz é a face mais descarada da política deste governo. Para eles, tudo o que perturba a lógica do capitalismo selvagem deve acabar!
Escreve o gajo, "o país tem que acabar com as bolsas para áreas improdutivas como as humanidades, artes e outras pseudo-ciências que acrescentam zero á nossa sociedade. As faculdades de letras, desporto, psicologia e humanidades, pela sua inutilidade, devem ser encerradas na sua grande maioria e as que fiquem devem ver a sua atividade reduzida ao mínimo, com despedimento da maioria do pessoal. O país não pode formar parasitas improdutivos". Um empresário como este, se puder, extermina os velhos, os doentes e os pobres.
Se quiserem conhecer melhor o bicho, vão à sua página no FB e enojem-se!
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
A MINHA VISÃO DAS PRAXES
O tema das praxes está inscrito em todas
as conversas, análises e debates que por estes dias se fazem em Portugal. E
isso acontece por via do choque causado pela tragédia do Meco. Mas antes já
existiam nas universidade as práticas abstrusas que atentavam contra a
dignidade e a sã convivência universitária e, de vez em quando, também causavam
vítimas.
Há dois anos atrás, na primeira
semana de aulas no ISCTE, um professor quis saber a nossa opinião sobre as
praxes e propôs, como primeiro trabalho, que a sintetizássemos numa página. Na semana
seguinte, na correcção do exercício o professor, sem identificar o autor,
começou a ler o meu texto onde, entre outras coisas, escrevi que a praxe era
uma idiotice abjecta e indigna de gente bem formada. Parou de ler e disse: “Ainda
que possa estar de acordo, isto não se pode escrever!”
Este ano, ao contrário do que estava
calendarizado, o início das aulas foi atrasado uma semana por causa das praxes.
Na altura, dia 19 de Setembro, mostrei surpresa, no meu blogue e no FB, pela
complacência da direcção da Escola e dei conta da perplexidade e indignação que
senti ao assistir ao espectáculo escabroso e de mau gosto primário que decorria
no pátio. E escrevi, “À imbecilidade dos comportamentos junta-se
a linguagem obscena (supostamente libertadora?!) na representação de rituais
que apenas impõem apatia e obediência cega aos superiores.”
As vozes que agora se erguem exigindo
culpados vestidos de bodes expiatórios que carreguem as culpas do que aconteceu
calaram-se e foram coniventes com a situação. As autoridades académicas e
governamentais, a imprensa, as famílias, pactuaram e foram deixando andar o folclore
mascarado de “tradição” universitária – coisa inventada como a maioria das
tradições – para dar patine académica a Escolas e Institutos com pouca
credibilidade. Porém, a partir do momento em que as Escolas passaram a ser
vistas e geridas como um negócio, os alunos adquiriram o estatuto de clientes e
como o cliente tem sempre razão… até as Escolas públicas e boas como o ISCTE
pactuam com esta indigente alunocracia.
A integração dos caloiros proclamada
como objectivo é uma treta. A estrutura praxista é composta por “veteranos” mais
escolantes que estudantes que, de um modo geral, são péssimos alunos com
“autoridade” e galardões adquiridos nos chumbos, no
atraso em finalizar o curso, inspirados na ideologia das claques de futebol, senhores
de uma imaginação perversa e sádica aplicada na dita integração baseada, claro,
na submissão e na obediência pateta aos superiores, por mais merdosos que sejam.
Uma
Escola não deve servir para isto.
Amanhã,
o ministro Crato vai reunir-se com reitores e alunos. Pela entrevista que o
reitor da “Lusófana” deu à SIC, temo o pior.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
FILHOS DA PUTA 2
A questão da coadoção por casais do mesmo sexo baralha-nos. Aliás,
tudo o que diga respeito a matérias que fujam à héteronormatividade suscita dúvida,
por vezes perplexidade e noutras, recusa. A matriz judaico-cristã formatou-nos
assim a viver num modelo de família nuclear, policiando os costumes e comportamentos
diferentes dos nossos.
Mas uma coisa são as nossas visões particulares e sociológicas
acerca do assunto e outra, muito mais concreta, é a vida real das pessoas que
por motivos que só a eles dizem respeito, romperam as normas e tiveram a
coragem de constituir outros modelos familiares adequados às suas orientações e
desejos e que, naturalmente, incluem crianças. E não consta que essas crianças
sejam causa de tumultos nas escolas que frequentam, nos prédios e nas ruas onde
vivem com a família.
A política partidária tem lógicas tão obscenas e bizarras, e às
vezes tão sórdidas de fazer política que metem nojo. No Verão passado o
parlamento aprovou na generalidade o projecto de coadoção. Ora a coadoção apenas
legisla o direito dessa criança passar a ter o outro pai ou mãe com os direitos
e deveres reconhecidos na lei, iguais aos da outra figura parental que vive lá
em casa. Negar-lhes esses direito é uma afronta perpetrada por aqueles que têm
tanto horror aos homossexuais que baralham tudo de propósito e, fingindo-se
democratas, aprovam um referendo para tentar evitar o inevitável.
Independentemente das considerações de ordem social, política e
financeira que se colocam, a principal questão aqui é moral, tem a ver com os
direitos das crianças. Ouvir os argumentos que defendem esta manigância sem
nome por parte dos aprendizes de feiticeiro da JSD, é repugnante. Dá vómitos só
de ouvi-los falar! Por outro lado, é penoso ouvir as declarações de voto dos
políticos profissionais, daqueles deputados que recorreram a este instrumento
para limpar a consciência e deram-nos assim a prova provada da sua inutilidade enquanto
seres pensantes que putativamente nos representam. Se tivessem vergonha,
demitiam-se. Como não têm, representam apenas o que de pior e mais imoral existe
na política. Uns e outros só merecem o meu desprezo.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
FILHOS DA PUTA 1
Os advogados do padre e ex-vice reitor do Seminário do Fundão, que foi condenado a 10
anos de prisão por 19 crimes de abuso sexual de menores, pede, hoje, no recurso
interposto para a Relação de Coimbra, que o arguido seja absolvido, com base em
nulidades e inconstitucionalidades. As inconstitucionalidades alegadas são
um artigo da concordata assinado entre a Santa Sé e o Estado português que,
segundo dizem, impedia os magistrados de ouvir o padre! Não interessa se é
assassino, pedófilo ou autor de qualquer outro crime. As “nulidades” onde o
pedófilo se quer agarrar estão no facto de as crianças terem sido ouvidas, para
memória futura, em áudio e não em vídeo!
Já com o Pinto, o “Papa” do futebol, aconteceu
coisa semelhante há atrasado… isto é, existem as escutas telefónicas incluídas
no processo “Apito Dourado”, onde o “dono” do futebol fala com um empresário e
refere a “fruta para dormir” para a equipa de arbitragem de um jogo qualquer
mas depois os juízes não aceitaram as escutas como prova porque…já nem me
lembro.
Se estes gajos, padres, “papas” de qualquer
paróquia, advogados que aceitam defender estes vigaristas, fossem sérios,
dizia-lhes para terem vergonha. Como sei que não são apenas os mando de volta para
a puta que os pariu.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



